Como qualquer outra pessoa do mundo, às vezes, também sofro de falta de inspiração. "Mas, como? Afinal, ele está na Índia, deve ter tanta coisa diferente pra falar e bla bla bla...". É, depois de quase seis meses, quando não estamos passando por um momento, digamos, "propício" aos nossos objetivos, até as coisas mais interessantes passam despercebidas e outras, que me fascinavam, até então, se tornam chatas, maçantes, sem-graça e repetitivas (para não citar outros adjetivos inferiores).
E como isso é um círculo vicioso, que nos puxa cada vez mais para baixo (ou para cima, se quisermos), vou tentar me empenhar mais a continuar escrevendo para esse blog. Espero que continuem acessando, lendo e comentando sempre que possível ;)
******
Cada dia que passa, se aproxima mais e mais a minha hora de ir embora da Índia. "Quando"? Não sei. "Para onde?" Menos ainda! Mas o que a gente sente é inevitável.
E, assim sendo, vai chegando aquela hora de experimentar mais as coisas, explorar novos lugares, novas experiências... e foi exatamente nesse clima de despedida (ainda não a minha, mas de uns amigos) que optamos por visitar o centro turístico novamente de uma forma mais "roots"; de trem.
Para fazer uma viagem dessas do subúrbio onde moro até o centro tem seu preço: de graça, literalmente, ou muuuuuuuuuito barato. Explico: assim que adentrar a estação, irá enfrentar a enorme fila da bilheteria. O preço é baratíssimo, mas, mesmo assim, muitos optam por não pagar. Isso porque não existem roletas, nem cobradores. Há apenas um fiscal que recolhe os "tickets" da primeira classe, principalmente, de vez em quando. Se alguma vez for pego por eles sem seu bilhete, vai desembolsar uma multa salgada, especialmente, para os indianos de baixa renda. Há também vagões separados para homens e mulheres; elas podem entrar no vagão masculino se quiserem (se tiverem dispostas a serem olhadas o tempo inteiro e levar uns "apertos 'sem-querer'" devido a alguma "mão boba" perdida entre tanta gente - como aconteceu com minha amiga); já eles não podem entrar num vagão feminino sob nenhuma circunstância.
Logo que o trem chega, as pessoas se empurram para dentro mesmo com o trem em movimento, mesmo porque este quase não para. As portas não se fecham nem durante as viagens e o "feeling" é andar pendurado (às vezes, literalmente) sentindo o vento na cara.
Acho que muitos optam por isso porque o interior dos trens é, insuportavelmente, cheio. Preciso falar que é quente e mal cheiroso também ou é subentendido? Tá, é quente demaaaaaaais e fede pra car*#!@&^%$#, ok? Ah, essas sensações triplicam quando chega a hora de pico.
De táxi, eu levaria, aproximadamente, duas horas para chegar lá; de trem, não me tomou mais que 40 minutos.
Apesar do aperto, vale pela experiência, pela rapidez e pela oportunidade de vivenciar um pouco mais a rotina de milhões de indianos que enfrentam essa precariedade nos tranportes públicos diariamente.
Portanto, quando decidir dar um rolé de trem em Mumbai, primeiro, certifique-se de que não é claustrofóbico; depois, prenda a respiração, segure-se firme próximo à porta aberta e .... boa viagem!