Numa manhã de sexta-feira, acordei com a sensação de fazer algo diferente assim que abri meus olhos. Sem pensar muito, pulei da cama, troquei minha roupa e comi algo para calar a boca do meu estômago faminto. Aliás, em dias de "férias forçadas", não tem me sobrado muitas opções além de comer e ficar sentado à frente da televisão o dia todo (a grana curta me impede de dar uns rolés fora do subúrbio).
Assim sendo, resolvi que naquela manhã iria dar uma volta a pé. Peguei minha câmera e saí sem rumo, sem saber pra onde iria ou em quanto tempo voltaria. A única coisa que queria era andar por ruas que eu não havia passado ainda na minha redondeza.
Na rua principal, onde contém a feira e o armazém que nos oferece frutas e alimentos "diversos", sempre ia até uma determinada banca e voltava. Naquele dia, resolvi ir além e ver até onde aquela rua me levaria. Fui até o fim dela através de uma rua sem asfalto em meio a uma viela com barracos e casebres pobres pelos dois lados. Nas partes mais largas, haviam cortiços precários com crianças jogando "cricket" em meio aos entulhos.
O fim da rua me levou a um terreno enorme onde indianas estendiam peixes no chão para secar. É comum, em toda Ásia, o consumo de alimentos secos, sejam frutas ou carnes. O problema é o modo de preparo: os alimentos estão em contato direto com a areia sem nenhuma proteção e estão ali expostos em meio a corvos e vira-latas. O cheiro é de carniça "fresca".
Voltando dali, entrei por outra rua. De longe, vi uma estrutura que parecia ser de uma igreja e resolvi ir até lá. Chegando mais perto, vi que realmente se tratava de uma igreja católica. Passei pelo portão principal e andei um pouco pelo pátio, onde havia imagens de Jesus crucificado, entre outras. A poucos metros dali, à minha esquerda, havia um templo hindu.
Agora que já tinha conhecido o outro lado e descoberto de onde vinha o cheiro podre que invade meu apartamento todos os dias, resolvi voltar para casa ainda por um caminho diferente. Segui em direção a uma favela que se situa à beira-mar e vi uma espécie de "calçadão" sendo construído. Entrei pelo beco e fui ver o mar durante uns minutos. Dois homens que pescavam numa espécie de jangada notaram a presença do branquelo aqui (eu) e começaram a fazer graças, pulando e virando cambolhotas naquele mar preto. Resolvi me retirar para que eles continuassem trabalhando sem que eu os distraísse.
Quando comecei a voltar, um trio de homens simpáticos sentados à frente de seus barracos puxaram conversa comigo. Depois de mímicas e deduções, entendi que eles queriam que eu os fotograsse e mostrasse suas imagens pra eles mesmos. Pedido feito e umas risadas depois, parti pelo calçadão.
Enquanto caminhava, me surpreendi com a construção de uma mesquita. Na verdade, sempre que ia para o andar de cima no apartamento de uns amigos, via de longe algo iluminado e ficara curioso com o que seria aquilo. Agora, estava vendo de perto a construção ou reforma daquele lugar que enfeita o céu de verde todas as noites.
Embora o sol estivesse forte, resolvi não voltar para casa. Decidi caminhar pela rua que frequento diariamente de riquixá. Dentro do triciclo, era meio difícil ver a variedade do comércio que tinha naquela rua. Salões de cabelereiros, bancos, lojas de roupas,... me impressionei como nunca tinha prestado atenção em todas as coisas que estavam ao meu redor.
Andei pela rua até que minhas pernas começassem a se queixar. Achei um praça abandonada em frente a um "mini parque" bem cuidado onde algumas pessoas faziam suas caminhadas. Tentei fotografar, mas um segurança me impediu dizendo que eu teria que pagar alguma taxa. Idiota!
Quando estava começando meu caminho de volta, passei em frente a uma "barbearia" e ao lado de uma vaca que devorava uns restos de lixo que estavam jogados no chão. A cena me fez rir.
Olhei para o relógio do celular e vi que uma hora e meia havia se passado. Eu ainda estava empolgado com o passeio matutino, mas tive que voltar. Cheguei em casa decidido que todas as manhãs agora seriam como aquela, cheias de novos caminhos e novas descobertas.
domingo, 1 de março de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Um caso de polícia?
Era pra ser apenas mais uma noite de "sessão pipoca" como outra qualquer. Jogados no sofá do apartamento com duas bacias de pipoca de um lado e um prato de brigadeiro no outro, assistíamos ao filme "A Janela Secreta", com Johnny Depp, na TV.
O volume estava alto e o filme quase no final, sendo pouco provável que qualquer outra coisa tiraria minha atencão naquele momento, até que minha companheira de república se queixou de um barulho vindo de fora. Entretido, nem dei bola. Segundos depois, ela reclama do barulho novamente e diminui o volume da televisão. Parecia que um furacão estava descendo pelas escadas do prédio.
Assustado, mas curioso, saí que nem um foguete do sofá em direção à porta para espiar pelo buraco do olho mágico o que acontecia lá fora, mas o "furacão" já havia chegado na rua.
Corri para a sacada e a cena que vi foi de pura covardia: aproximadamente seis ou sete homens do meu prédio batiam num homem com socos, pontapés e pedaços de bambu. Fiquei horrorizado, assim como todas as meninas que moram comigo.
Depois de um certo momento, os seguranças traziam novamente o homem para dentro do prédio, ainda sendo agredido enquanto conduzido. Mesmo sem saber o motivo pelo qual a vítima apanhava, meu instinto falou mais alto e gritei para que parassem. Moro no primeiro andar, estava bem na frente deles e todos olharam para mim e pararam.
O homem, já sem camisa, ficou sentado no chão do prédio chorando, enquanto que seus agressores entraram novamente no edifício. A confusão fez com que muitos moradores de outros prédios também saíssem para ver o que estava acontecendo. Alguns gritavam.
Minutos depois, os seguranças voltaram, pegaram o homem machucado e levaram para dentro do prédio. Com medo que aquela covardia continuasse, pensei em chamar a polícia, mas depois fiquei sem saber o que seria pior para o homem num país onde a pena de morte ainda não foi totalmente abolida.
Ainda sem saber porque o homem apanhava, um indiano que falava inglês subiu até o nosso apartamento para tentar explicar a situação. Ele disse que o homem que apanhava era o motorista da mulher do proprietário do prédio e havia desrespeitado ela. Então, ele chamou os seguranças para que lhe dessem uma "lição" e levaram o homem para dentro do prédio até que a polícia chegasse e o levasse dali.
Não sou idiota, muito menos cego. Óbvio que não acreditei nessa explicação estúpida. Oras, um "motorista" trabalhando de shorts, camiseta e sandália para uma mulher rica? Por favor, né?!
A essas horas, meu filme já havia acabado, não pude acompanhar o final e a polícia não havia chegado até eu ir pra cama, mais de uma hora depois, o que reforçou minha idéia de que o cara estava mentindo.
Ainda com o coração acelerado, tentei dormir querendo esquecer o que ainda estava para acontecer com aquele homem lá fora. Assim que meus olhos se fecharam, ouvi um grito vindo de longe, me fazendo pensar que eu prefereria que um furacão (agora sem aspas) estivesse lá fora para abafar seus gritos de dor.
O volume estava alto e o filme quase no final, sendo pouco provável que qualquer outra coisa tiraria minha atencão naquele momento, até que minha companheira de república se queixou de um barulho vindo de fora. Entretido, nem dei bola. Segundos depois, ela reclama do barulho novamente e diminui o volume da televisão. Parecia que um furacão estava descendo pelas escadas do prédio.
Assustado, mas curioso, saí que nem um foguete do sofá em direção à porta para espiar pelo buraco do olho mágico o que acontecia lá fora, mas o "furacão" já havia chegado na rua.
Corri para a sacada e a cena que vi foi de pura covardia: aproximadamente seis ou sete homens do meu prédio batiam num homem com socos, pontapés e pedaços de bambu. Fiquei horrorizado, assim como todas as meninas que moram comigo.
Depois de um certo momento, os seguranças traziam novamente o homem para dentro do prédio, ainda sendo agredido enquanto conduzido. Mesmo sem saber o motivo pelo qual a vítima apanhava, meu instinto falou mais alto e gritei para que parassem. Moro no primeiro andar, estava bem na frente deles e todos olharam para mim e pararam.
O homem, já sem camisa, ficou sentado no chão do prédio chorando, enquanto que seus agressores entraram novamente no edifício. A confusão fez com que muitos moradores de outros prédios também saíssem para ver o que estava acontecendo. Alguns gritavam.
Minutos depois, os seguranças voltaram, pegaram o homem machucado e levaram para dentro do prédio. Com medo que aquela covardia continuasse, pensei em chamar a polícia, mas depois fiquei sem saber o que seria pior para o homem num país onde a pena de morte ainda não foi totalmente abolida.
Ainda sem saber porque o homem apanhava, um indiano que falava inglês subiu até o nosso apartamento para tentar explicar a situação. Ele disse que o homem que apanhava era o motorista da mulher do proprietário do prédio e havia desrespeitado ela. Então, ele chamou os seguranças para que lhe dessem uma "lição" e levaram o homem para dentro do prédio até que a polícia chegasse e o levasse dali.
Não sou idiota, muito menos cego. Óbvio que não acreditei nessa explicação estúpida. Oras, um "motorista" trabalhando de shorts, camiseta e sandália para uma mulher rica? Por favor, né?!
A essas horas, meu filme já havia acabado, não pude acompanhar o final e a polícia não havia chegado até eu ir pra cama, mais de uma hora depois, o que reforçou minha idéia de que o cara estava mentindo.
Ainda com o coração acelerado, tentei dormir querendo esquecer o que ainda estava para acontecer com aquele homem lá fora. Assim que meus olhos se fecharam, ouvi um grito vindo de longe, me fazendo pensar que eu prefereria que um furacão (agora sem aspas) estivesse lá fora para abafar seus gritos de dor.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A Índia, a novela global e o filme de ouro
A Índia é mesmo uma fonte de inspiração para muitos. A prova disso é a enxurrada de notícias que o país tem sido ao redor do mundo.
Para resumir, quero apenas abordar como diferentes países têm explorado a Índia e algumas de suas inúmeras faces; o Brasil, através da Rede Globo, a selecionou como assunto para a sua novela no horário de maior audiência, enquanto que renomados escritores e diretores ingleses escolheram o país para retratá-lo em um filme, Slumdog Millionaire.
Estamos falando de um mesmo lugar exposto de maneiras opostas, por visões e interesses diferentes. Enquanto a autora brasileira, Glória Perez, aproveita o polêmico assunto do casamento proibido entre duas pessoas de origens diferentes para alavancar sua audiência, o diretor inglês Danny Boyle se aprofunda no submundo indiano para retratar a vida de um favelado que se torna milionário ao ganhar um jogo de perguntas num programa televisivo.
Vou tentar ser o menos injusto possível com a novela. Assumo que assisti apenas alguns poucos capítulos do folhetim no início e achei super interessante como a história do Rio Ganges, a formação do sistema de castas e outras coisas foi abordada no ar. Mas depois enjoei ao perceber que iriam ficar "batendo na mesma tecla" do casamento proibido entre um "dalit" (um "intocável", um sem casta) e uma "brâmane" (pertencente a mais alta casta) - além de o casal principal ser um verdadeiro "chute no saco", na minha opinião (hehehe).
Ah, eu considero a Índia um país tão cheio de diversidades que não seria tão difícil abordar temas capazes de prender os telespectadores em frente à televisão. Agora, insistir num assunto que nem condiz tanto com a realidade daqui considero apelativo. Falo isso porque sempre que converso com os indianos mais próximos de mim ou outros que conheço ocasionalmente tiro dúvidas a fim de quitar minhas inúmeras curiosidades daqui e uma delas sempre foi o casamento. A grande maioria diz que isso é passado, que hoje as coisas vêm sofrendo uma transformação radical nesse aspecto e que, sim, eles/as podem escolher seus/suas namoradas/os e noivas/os como bem quiserem. Somente as famílias mais tradicionais mantêm esse tipo de atitude ainda. Oras, sem falar que a novela é baseada em histórias de famílias indianas ricas, o que também não considero muito a realidade daqui. A miséria/pobreza está em todos os lados; a riqueza que é excessão, incomum.
Enquanto isso, a direção de Danny Boyle (de Trainspotting) mergulha nesse lado sub humano da Índia, mostrando como dois irmãos "dalit" dão um jeito na vida após perderam seus pais numa briga entre hindus e muçulmanos numa das maiores favelas do mundo. Sempre juntos, mas com personalidades opostas, cada um segue um caminho diferente num filme que lembra muito o sucesso brasileiro "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles. Particularmente, acho um filme que aborda a miséria indiana muito mais condizente com a sua realidade que um folhetim que mostra a vida de indianos rico-milionários.
Enfim, a novela global tem tudo para ser um sucesso, principalmente, por pertencer à emissora de maior audiência brasileira, podendo bombardear seus telespectadores com o assunto "Índia" em toda sua grade de programas, induzindo-os a apreciar o folhetim. Já o filme, tido como "azarão" em muitos festivais internacionais de cinema, com atores feios e desconhecidos do público mundial, abocanha prêmios e mais prêmios, incluindo quatro Globos de Ouro e concorrendo a mais nove estatuetas pelo Oscar. Agora, cabe a cada um fazer sua escolha a respeito da Índia que melhor lhe agrade ou conheça. Eu já fiz a minha!
Para resumir, quero apenas abordar como diferentes países têm explorado a Índia e algumas de suas inúmeras faces; o Brasil, através da Rede Globo, a selecionou como assunto para a sua novela no horário de maior audiência, enquanto que renomados escritores e diretores ingleses escolheram o país para retratá-lo em um filme, Slumdog Millionaire.
Estamos falando de um mesmo lugar exposto de maneiras opostas, por visões e interesses diferentes. Enquanto a autora brasileira, Glória Perez, aproveita o polêmico assunto do casamento proibido entre duas pessoas de origens diferentes para alavancar sua audiência, o diretor inglês Danny Boyle se aprofunda no submundo indiano para retratar a vida de um favelado que se torna milionário ao ganhar um jogo de perguntas num programa televisivo.
Vou tentar ser o menos injusto possível com a novela. Assumo que assisti apenas alguns poucos capítulos do folhetim no início e achei super interessante como a história do Rio Ganges, a formação do sistema de castas e outras coisas foi abordada no ar. Mas depois enjoei ao perceber que iriam ficar "batendo na mesma tecla" do casamento proibido entre um "dalit" (um "intocável", um sem casta) e uma "brâmane" (pertencente a mais alta casta) - além de o casal principal ser um verdadeiro "chute no saco", na minha opinião (hehehe).
Ah, eu considero a Índia um país tão cheio de diversidades que não seria tão difícil abordar temas capazes de prender os telespectadores em frente à televisão. Agora, insistir num assunto que nem condiz tanto com a realidade daqui considero apelativo. Falo isso porque sempre que converso com os indianos mais próximos de mim ou outros que conheço ocasionalmente tiro dúvidas a fim de quitar minhas inúmeras curiosidades daqui e uma delas sempre foi o casamento. A grande maioria diz que isso é passado, que hoje as coisas vêm sofrendo uma transformação radical nesse aspecto e que, sim, eles/as podem escolher seus/suas namoradas/os e noivas/os como bem quiserem. Somente as famílias mais tradicionais mantêm esse tipo de atitude ainda. Oras, sem falar que a novela é baseada em histórias de famílias indianas ricas, o que também não considero muito a realidade daqui. A miséria/pobreza está em todos os lados; a riqueza que é excessão, incomum.
Enquanto isso, a direção de Danny Boyle (de Trainspotting) mergulha nesse lado sub humano da Índia, mostrando como dois irmãos "dalit" dão um jeito na vida após perderam seus pais numa briga entre hindus e muçulmanos numa das maiores favelas do mundo. Sempre juntos, mas com personalidades opostas, cada um segue um caminho diferente num filme que lembra muito o sucesso brasileiro "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles. Particularmente, acho um filme que aborda a miséria indiana muito mais condizente com a sua realidade que um folhetim que mostra a vida de indianos rico-milionários.
Enfim, a novela global tem tudo para ser um sucesso, principalmente, por pertencer à emissora de maior audiência brasileira, podendo bombardear seus telespectadores com o assunto "Índia" em toda sua grade de programas, induzindo-os a apreciar o folhetim. Já o filme, tido como "azarão" em muitos festivais internacionais de cinema, com atores feios e desconhecidos do público mundial, abocanha prêmios e mais prêmios, incluindo quatro Globos de Ouro e concorrendo a mais nove estatuetas pelo Oscar. Agora, cabe a cada um fazer sua escolha a respeito da Índia que melhor lhe agrade ou conheça. Eu já fiz a minha!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Colaba
Finalmente, fui apresentado à parte nobre da cidade. Depois de um mês e meio em Mumbai, nem uma ressaca e poucas horas de sono foram capazes de me impedir de conhecer o outro lado da metrópole.
Vale lembrar que moro em Andheri, subúrbio localizado no extremo norte de Mumbai. Para chegar em Colaba, é preciso enfrentar, aproximadamente, duas horas de trânsito sem congestionamento (algo bem improvável de acontecer). Como os "autorickshaws" (os tradicionais triciclos) não circulam naquela parte da cidade, foi preciso parar no bairro de Bandra para pegar um taxi (metade do caminho fomos de triciclo para economizar um pouco de grana e outra metade de taxi). Ah, os taxis são minúsculos, antigos e (pior) sem ar condicionado, ou seja, como os dias são insuportavelmente quentes diariamente, prepare-se para suar parado nos inúmeros congestionamentos que cercam a cidade.
É interessante ver como Mumbai se transforma à medida que se aproxima de Colaba. Assim que você chega à Marine Drive, a sensação é de estar num lugar completamente diferente da cidade que estou acostumado a ver. Não é pra menos. As ruas são menos lotadas, mais limpas e a pobreza parece ficar mais, digamos, "escondida" aos olhos comuns. É nessa avenida onde fica os prédios e hotéis mais luxuosos e onde o m2 é o mais caro da cidade. Inclusive, é no final dela, numa região chamada de Nariman Point, que fica o Oberoi Hotel, vítima dos últimos ataques terroristas que aconteceram aqui. Aliás, por falar em terrorismo, a minha idéia era percorrer os lugares que foram atentados.
A primeira parada foi no Taj Mahal Hotel, um dos mais luxuosos do mundo. Inaugurado em 1903, é conhecido pela sua arquitetura e pelas celebridades (artistas, presidentes, empresários, etc.) que se hospedam lá. Infelizmente, ganhou mais notoriedade mundialmente após dezenas de hóspedes terem ficado reféns de terroristas em novembro passado. Do lado de fora ainda é possível ver marcas de fogo e algumas janelas a serem consertadas. Apenas uma parte dele foi reaberto.
Achei incrível a quantidade de turistas que se concentram nas calçadas do Hotel para fotografar. Dali também é possível conferir o forte esquema de segurança que o cerca, como homens armados de fuzis atrás de barricadas, inspeção de carros e esteiras raios X para bagagens, além de portas detectoras de metais.
A grande concentração de pessoas também se dá pelo fato do Hotel ser bem à frente do India Gateway de Mumbai (Portal da Índia). Pena que fui enquanto o monumento estava em reforma, mas deu para ter uma idéia de como é. Tem 26 metros de altura e foi construído para dar boas vindas aos que chegavam por mar, antigamente.
Para o passeio ficar completo só faltava conhecer o Leopold Cafe, um dos mais tradicionais e conhecidos de Mumbai. O bar, inaugurado em 1871, arrasta clientes, especialmente, turistas e estrangeiros que passam pela região. É impressionante a quantidade de furos de balas nas paredes e pilastras do estabelecimento. Inúmeros clientes fotografam o tempo todo.
A sensação de estar num lugar como aquele, após os ataques, é estranha. Assumo que fiquei meio incomodado no início, não muito à vontade. Na verdade, até meu apetite sumiu quando entrei lá e pedi apenas um prato de salada para o almoço (quem me conhece sabe que um prato desses não satisfaz meu apetite), mas depois de meia hora, relaxei e aproveitei a variedade do cardápio. Aliás, que menu a preço acessível! Pude confirmar minha opinião ao ver (e enfrentar) as filas que se formam para entrar no bar. Ah, e quanto a segurança, vi câmeras de vídeo em toda a parte (não sei se era assim antes) e uns dois homens armados na porta.
Para fechar o passeio e retornar feliz à "favela" (hahahaha), só faltava percorrer a rua do bar onde funciona uma feira de produtos indianos a um preço tentador àqueles que são bons de pechincha (meu caso, "turquinho" e pão duro de carteirinha).
Achei produtivo ter conhecido esse outro lado de Mumbai, que só conhecia pelos comentários dos outros, internet e televisão. Pude testemunhar, finalmente, que a cidade apresenta contrastes já que, até então, só havia conhecido a miséria e a pobreza desse lugar.
Vale lembrar que moro em Andheri, subúrbio localizado no extremo norte de Mumbai. Para chegar em Colaba, é preciso enfrentar, aproximadamente, duas horas de trânsito sem congestionamento (algo bem improvável de acontecer). Como os "autorickshaws" (os tradicionais triciclos) não circulam naquela parte da cidade, foi preciso parar no bairro de Bandra para pegar um taxi (metade do caminho fomos de triciclo para economizar um pouco de grana e outra metade de taxi). Ah, os taxis são minúsculos, antigos e (pior) sem ar condicionado, ou seja, como os dias são insuportavelmente quentes diariamente, prepare-se para suar parado nos inúmeros congestionamentos que cercam a cidade.
É interessante ver como Mumbai se transforma à medida que se aproxima de Colaba. Assim que você chega à Marine Drive, a sensação é de estar num lugar completamente diferente da cidade que estou acostumado a ver. Não é pra menos. As ruas são menos lotadas, mais limpas e a pobreza parece ficar mais, digamos, "escondida" aos olhos comuns. É nessa avenida onde fica os prédios e hotéis mais luxuosos e onde o m2 é o mais caro da cidade. Inclusive, é no final dela, numa região chamada de Nariman Point, que fica o Oberoi Hotel, vítima dos últimos ataques terroristas que aconteceram aqui. Aliás, por falar em terrorismo, a minha idéia era percorrer os lugares que foram atentados.
A primeira parada foi no Taj Mahal Hotel, um dos mais luxuosos do mundo. Inaugurado em 1903, é conhecido pela sua arquitetura e pelas celebridades (artistas, presidentes, empresários, etc.) que se hospedam lá. Infelizmente, ganhou mais notoriedade mundialmente após dezenas de hóspedes terem ficado reféns de terroristas em novembro passado. Do lado de fora ainda é possível ver marcas de fogo e algumas janelas a serem consertadas. Apenas uma parte dele foi reaberto.
Achei incrível a quantidade de turistas que se concentram nas calçadas do Hotel para fotografar. Dali também é possível conferir o forte esquema de segurança que o cerca, como homens armados de fuzis atrás de barricadas, inspeção de carros e esteiras raios X para bagagens, além de portas detectoras de metais.
A grande concentração de pessoas também se dá pelo fato do Hotel ser bem à frente do India Gateway de Mumbai (Portal da Índia). Pena que fui enquanto o monumento estava em reforma, mas deu para ter uma idéia de como é. Tem 26 metros de altura e foi construído para dar boas vindas aos que chegavam por mar, antigamente.
Para o passeio ficar completo só faltava conhecer o Leopold Cafe, um dos mais tradicionais e conhecidos de Mumbai. O bar, inaugurado em 1871, arrasta clientes, especialmente, turistas e estrangeiros que passam pela região. É impressionante a quantidade de furos de balas nas paredes e pilastras do estabelecimento. Inúmeros clientes fotografam o tempo todo.
A sensação de estar num lugar como aquele, após os ataques, é estranha. Assumo que fiquei meio incomodado no início, não muito à vontade. Na verdade, até meu apetite sumiu quando entrei lá e pedi apenas um prato de salada para o almoço (quem me conhece sabe que um prato desses não satisfaz meu apetite), mas depois de meia hora, relaxei e aproveitei a variedade do cardápio. Aliás, que menu a preço acessível! Pude confirmar minha opinião ao ver (e enfrentar) as filas que se formam para entrar no bar. Ah, e quanto a segurança, vi câmeras de vídeo em toda a parte (não sei se era assim antes) e uns dois homens armados na porta.
Para fechar o passeio e retornar feliz à "favela" (hahahaha), só faltava percorrer a rua do bar onde funciona uma feira de produtos indianos a um preço tentador àqueles que são bons de pechincha (meu caso, "turquinho" e pão duro de carteirinha).
Achei produtivo ter conhecido esse outro lado de Mumbai, que só conhecia pelos comentários dos outros, internet e televisão. Pude testemunhar, finalmente, que a cidade apresenta contrastes já que, até então, só havia conhecido a miséria e a pobreza desse lugar.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Anjuna, Goa - Índia
Éramos seis. Juntamos nossas economias com mais uns trocados, enchemos as mochilas, pegamos uns colchões para dormir e partimos para a estação de trem CST (Chattrapati Shivaji Terminus). Sim, a estação é a mesma que mais sofreu baixas durante os últimos ataques terroristas aqui em Mumbai.
Insuportavelmente lotada e proporcionalmente mal estruturada, a estação hoje apresenta portas detectores de metais desligadas, algumas barricadas com poucos soldados armados com fuzis (aparentemente, antigos) e outros guardas sentados com
seus bambus (cassetetes) a tiracolo. Ou seja, aproximadamente, há um mês dos atentados terroristas, a estação funciona como se nada tivesse acontecido ou como se não fosse um alvo fácil de futuros ataques já que é possível trafegar com armas, bombas, drogas e demais ilegalidades por ali normalmente sem que ninguém te aborde.
O mal cheiro predomina em toda a estação, especialmente, próximo aos trilhos. Ali, por sinal, é impressionante a enorme quantidade de ratazanas que se alimentam dos dejetos jogados fora dos vagões.
Não posso deixar de contar sobre o nosso "baque" ao ver o trem onde viajaríamos durante 12 horas seguidas. Antigo, sujo, mal cheiroso (que novidade!) e precário, os vagões são divididos por classes, cada um dividido pela quantia paga por cada viajante. Pagamos, digamos assim, pela terceira classe. Em cada compartimento (aberto) fica um amontoado de oito camas (estilo beliche) e o banheiro é uma abertura no piso do trem que vai diretamente para os trilhos (talvez explique o mal cheiro das estações, se levar em consideração que a maioria das pessoas preferem fazer suas necessidades com o trem parado sem os solavancos).
(O trem pela manhã; menos lotado, já transitável)
Assim que você se "acomodar", irá receber um lençol amarelado, um travesseiro pequeno e um cobertor vermelho que mancha suas roupas caso decida usá-los (meu caso). Mas eu não tive opção, já que fiquei no andar de cima da cama congelando e respirando o ar condicionado que tinha a saída de ar a poucos centímetros de nossas cabeças. Ah, esqueci de falar: se for claustrofóbico, nem pense em entrar num trem na Índia.
Tínhamos 12 horas de viagem mais o tradicional atraso indiano pela frente. Só nos restou comer alguns sanduíches e frutas que levamos (a não ser que opte pelas marmitas servidas pelos ambulantes, algo que eu não recomendaria) e ouvir nossos tocadores de mp3 até pegarmos no sono. E assim foi feito. Os meus companheiros de viagem que acordaram pela manhã até disseram que a paisagem lá fora era linda, mas eu só acordei pouco antes de chegar.
Desembarcamos na estação errada 14 horas depois da nossa partida. Isso porque deveríamos ter perguntado antes qual a estação ficaria mais próxima da praia onde íamos ficar. Após pegarmos um táxi e viajarmos mais uma hora e meia, chegamos em Anjuna.
Eu já tinha uma pequena idéia do que veria pela frente devido a uma pesquisa que fiz pela internet sobre o lugar que iria visitar. O que eu não sabia era que a energia que você sente, assim que coloca os pés na areia, é incrível.
Havíamos alugado um chalé a, no máximo, cinco minutos andando da praia (para não falar que era de frente para o mar), logo atrás de um restaurante/balada que serviria nossas futuras refeições nos próximos dias. Esse local, Curlies, é o point de Anjuna.
Esqueçam os corpos sarados e bronzeados. Cabelos rastafari, dreadlocks, tatuagens e piercings compõem o visual dos branquelos vindos do mundo todo, especialmente, da Europa, para curtir a praia, a música eletrônica e suas respectivas maluquices. Vale lembrar que ainda estamos falando de um lugar da Índia, país de uma cultura um tanto "diferente", abrigar mulheres fazendo topless e homens de tanguinha fio dental.
Goa, para quem não sabe, é o berço de um estilo de música eletrônica, denominado psytrance ou goatrance. Tem uma batida mais rápida que a tradicional e geralmente é tocada nas polêmicas "raves". O lugar já foi considerado o paraíso dos hippies na década de 80 quando mochileiros e demais viajantes desenvolveram de forma intuitiva o estilo musical que hoje ferve as pistas de dança no mundo todo. Ah, devido a sua colonização portuguesa, é possível encontrar placas sinalizadas em português. Há quem diga que ainda existam famílias que falem a língua.
Devido a esse "detalhe", é impossível estar na praia sem escutar tal música. Admito que não sou fã do estilo musical, mas confesso que é impossível manter pernas, braços e demais partes do seu corpo parados enquanto tocam as músicas da manhã até a noite.
Anjuna, como disse, é o lugar dos "bichos grilos" e os que não se esticam nas areias da praia preferem a sombra do Curlies, que tem um andar especial, tipo lounge, com almofadas, tapetes e mesa baixa para tomar uma "birita" e/ou comer suas deliciosas refeições a preços camarada aprenciando o pôr-do-sol.
Tínhamos vários planos; alugar umas motos pra conhecer as outras praias era um deles, mas estávamos tão bem acomodados, satisfeitos e preguiçosos onde estávamos que mal nos movemos de Anjuna, exceto numa tarde quando resolvemos conhecer a praia ao lado da nossa. A nossa primeira tentativa foi via montanha, mas eu acabei abortando a missão antes que meus pés ficassem mais destruídos do que já estavam (perdi meus chinelos dias antes de ir pra lá). Mas o visual ali de cima é compensador. Num outro dia, seguimos pelas pedras com a maré baixa e chegamos tranquilamente em Calangute, mais frequentada, larga, extensa e cheia de atrações aquáticas.
Assim como em muitos lugares asiáticos, a Índia sofre com a vida noturna. Isso porque a maioria dos estabelecimentos é forçada a cortar o som perto da meia noite. Oras, estávamos, praticamente, numa praia deserta. A quem poderíamos tanto incomodar num lugar que apenas cresce com o turismo tendo o maior PIB per capta do país? Respostas à parte, cada um se divertia de um jeito quando a música parava.
A grande expectativa era, obviamente, a noite da virada. Todos estavam ansiosos para saber até que horas a música iria tocar, até que foi anunciado que o som rolaria até às 7 da manhã.
Na grande noite, a praia estava tomada pela multidão que fazia a contagem regressiva. E, quando chegou a hora, lindos e demorados fogos de artifícios explodiram no céu de Anjuna. As luzes dos foguetórios lançados por muitos bares podiam ser vistos ao longo a praia.
(Os fogos)
O dia amanheceu, a música parou quase que em seguida, mas nada da multidão deixar a praia. Ninguém viu brigas, discussões e nem nenhum outro tipo de estresse.
Já ia me esquecendo de falar sobre o Flea Market. Essa é uma das feiras mais tradicionais da Índia e acontece às quartas em Anjuna. É de uma extensão notória e ali é possível provar a enorme quantidade de estrangeiros que frequentam Goa. Todos os tipos de artigos típicos da Índia são encontrados ali, como artesanato, quinquilharias e cacarecos.
Seis dias depois, com a pele pouco mais avermelhada, alguns quilos (litros) a mais no corpo e um sorriso mais feliz no rosto, iniciei minha volta imaginando o desconforto do trem, as horas que demorariam a passar ali dentro e o paraíso que estava deixando pra trás. Depois de quase quatro horas de atraso do trem mais as 12 de viagem, percebi que tinha acordado de um sonho e que estava voltando à minha realidade. Aqui estou e espero que a virada de vocês tenha sido tão linda quanto a minha. Feliz 2009!
Insuportavelmente lotada e proporcionalmente mal estruturada, a estação hoje apresenta portas detectores de metais desligadas, algumas barricadas com poucos soldados armados com fuzis (aparentemente, antigos) e outros guardas sentados com
O mal cheiro predomina em toda a estação, especialmente, próximo aos trilhos. Ali, por sinal, é impressionante a enorme quantidade de ratazanas que se alimentam dos dejetos jogados fora dos vagões.
Não posso deixar de contar sobre o nosso "baque" ao ver o trem onde viajaríamos durante 12 horas seguidas. Antigo, sujo, mal cheiroso (que novidade!) e precário, os vagões são divididos por classes, cada um dividido pela quantia paga por cada viajante. Pagamos, digamos assim, pela terceira classe. Em cada compartimento (aberto) fica um amontoado de oito camas (estilo beliche) e o banheiro é uma abertura no piso do trem que vai diretamente para os trilhos (talvez explique o mal cheiro das estações, se levar em consideração que a maioria das pessoas preferem fazer suas necessidades com o trem parado sem os solavancos).
(O trem pela manhã; menos lotado, já transitável)
Assim que você se "acomodar", irá receber um lençol amarelado, um travesseiro pequeno e um cobertor vermelho que mancha suas roupas caso decida usá-los (meu caso). Mas eu não tive opção, já que fiquei no andar de cima da cama congelando e respirando o ar condicionado que tinha a saída de ar a poucos centímetros de nossas cabeças. Ah, esqueci de falar: se for claustrofóbico, nem pense em entrar num trem na Índia.
Tínhamos 12 horas de viagem mais o tradicional atraso indiano pela frente. Só nos restou comer alguns sanduíches e frutas que levamos (a não ser que opte pelas marmitas servidas pelos ambulantes, algo que eu não recomendaria) e ouvir nossos tocadores de mp3 até pegarmos no sono. E assim foi feito. Os meus companheiros de viagem que acordaram pela manhã até disseram que a paisagem lá fora era linda, mas eu só acordei pouco antes de chegar.
Desembarcamos na estação errada 14 horas depois da nossa partida. Isso porque deveríamos ter perguntado antes qual a estação ficaria mais próxima da praia onde íamos ficar. Após pegarmos um táxi e viajarmos mais uma hora e meia, chegamos em Anjuna.
Eu já tinha uma pequena idéia do que veria pela frente devido a uma pesquisa que fiz pela internet sobre o lugar que iria visitar. O que eu não sabia era que a energia que você sente, assim que coloca os pés na areia, é incrível.
Havíamos alugado um chalé a, no máximo, cinco minutos andando da praia (para não falar que era de frente para o mar), logo atrás de um restaurante/balada que serviria nossas futuras refeições nos próximos dias. Esse local, Curlies, é o point de Anjuna.
Esqueçam os corpos sarados e bronzeados. Cabelos rastafari, dreadlocks, tatuagens e piercings compõem o visual dos branquelos vindos do mundo todo, especialmente, da Europa, para curtir a praia, a música eletrônica e suas respectivas maluquices. Vale lembrar que ainda estamos falando de um lugar da Índia, país de uma cultura um tanto "diferente", abrigar mulheres fazendo topless e homens de tanguinha fio dental.
Goa, para quem não sabe, é o berço de um estilo de música eletrônica, denominado psytrance ou goatrance. Tem uma batida mais rápida que a tradicional e geralmente é tocada nas polêmicas "raves". O lugar já foi considerado o paraíso dos hippies na década de 80 quando mochileiros e demais viajantes desenvolveram de forma intuitiva o estilo musical que hoje ferve as pistas de dança no mundo todo. Ah, devido a sua colonização portuguesa, é possível encontrar placas sinalizadas em português. Há quem diga que ainda existam famílias que falem a língua.
Devido a esse "detalhe", é impossível estar na praia sem escutar tal música. Admito que não sou fã do estilo musical, mas confesso que é impossível manter pernas, braços e demais partes do seu corpo parados enquanto tocam as músicas da manhã até a noite.
Anjuna, como disse, é o lugar dos "bichos grilos" e os que não se esticam nas areias da praia preferem a sombra do Curlies, que tem um andar especial, tipo lounge, com almofadas, tapetes e mesa baixa para tomar uma "birita" e/ou comer suas deliciosas refeições a preços camarada aprenciando o pôr-do-sol.
Tínhamos vários planos; alugar umas motos pra conhecer as outras praias era um deles, mas estávamos tão bem acomodados, satisfeitos e preguiçosos onde estávamos que mal nos movemos de Anjuna, exceto numa tarde quando resolvemos conhecer a praia ao lado da nossa. A nossa primeira tentativa foi via montanha, mas eu acabei abortando a missão antes que meus pés ficassem mais destruídos do que já estavam (perdi meus chinelos dias antes de ir pra lá). Mas o visual ali de cima é compensador. Num outro dia, seguimos pelas pedras com a maré baixa e chegamos tranquilamente em Calangute, mais frequentada, larga, extensa e cheia de atrações aquáticas.
A grande expectativa era, obviamente, a noite da virada. Todos estavam ansiosos para saber até que horas a música iria tocar, até que foi anunciado que o som rolaria até às 7 da manhã.
Na grande noite, a praia estava tomada pela multidão que fazia a contagem regressiva. E, quando chegou a hora, lindos e demorados fogos de artifícios explodiram no céu de Anjuna. As luzes dos foguetórios lançados por muitos bares podiam ser vistos ao longo a praia.
(Os fogos)
O dia amanheceu, a música parou quase que em seguida, mas nada da multidão deixar a praia. Ninguém viu brigas, discussões e nem nenhum outro tipo de estresse.
Já ia me esquecendo de falar sobre o Flea Market. Essa é uma das feiras mais tradicionais da Índia e acontece às quartas em Anjuna. É de uma extensão notória e ali é possível provar a enorme quantidade de estrangeiros que frequentam Goa. Todos os tipos de artigos típicos da Índia são encontrados ali, como artesanato, quinquilharias e cacarecos.
Seis dias depois, com a pele pouco mais avermelhada, alguns quilos (litros) a mais no corpo e um sorriso mais feliz no rosto, iniciei minha volta imaginando o desconforto do trem, as horas que demorariam a passar ali dentro e o paraíso que estava deixando pra trás. Depois de quase quatro horas de atraso do trem mais as 12 de viagem, percebi que tinha acordado de um sonho e que estava voltando à minha realidade. Aqui estou e espero que a virada de vocês tenha sido tão linda quanto a minha. Feliz 2009!
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